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sexta-feira, 12 de abril de 2013

Frase curta


A pessoa vira para você e diz que tem uma maturidade de 10 anos a mais do que a sua verdadeira idade, o que isso significa? Nanismo

domingo, 20 de maio de 2012

Pés sujos


Nasci 13 de janeiro. Nem um dia a mais ou menos. Fui concebido de um mar de erros do desconhecido. Naveguei, flutuei, e submerso estou. Em meus pés ainda há lama daquele dia em que vi a luz do sofrimento. Vim  do pecado carnal da vida. Flagelei minha mãe por nove meses. Fiz ela passar por dores inconstantes, pedindo um pouco de alimento. Este alimento não tem nome, não tem cheiro, não tem sabor, é inexplicável. Se você consegue explicar, parabéns. Você é um ser elevado, acima do normal.

Pedi para voltar, mas o retorno já não me era possível. A partir daí, constitui um elo que os homens chamam de muitos nomes. Sinto muito, mas não consegui decifrar tal coisa, sentimento, sei lá. Acredito, que desceu pelo ralo do meu primeiro banho quando dei no meu primeiro choro neste mundo. Desde então procuro o tal alimento.

Através de fotos nas paredes ou nos books desgastados de tantas pesquisas inúteis. Vesti as mais diversas fantasias, das mais variadas cores e formas. Já vesti cristais e ouros, mas no outro dia estava como um farrapo. Roupas puídas. Ontem, eu era um tamanho, hoje sou menor ainda, quem sabe amanhã posso ser grande? Antes disso, preciso de uma ampulheta ou um mapa com o texto mais descritivo possível, para me situar onde estou. Fiz o inimaginável, alcancei grandezas, mas me perdi nos meus deslumbres. Oh que visionário eu fui.

Sou rei, amanhã serei príncipe ou o bobo da corte. Posso ser aquele rapaz que toca as trombetas que passa a hierarquia portuguesa, por que não? Faço parte dos seres mais invisíveis que existe no planeta: o ser humano. Estou caminhando, não em círculos, mas aos pulos, porque as armadilhas são grandes.  

até breve...

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Linha reta



Meu corpo pertence à terra, mas minhas palavras são do vento. Amarro os versos na janela do meu quarto, para que as orações alcancem o cume do próprio Deus. Escrevo para haja esperança em meus olhos marejados. Descrevo para me libertar. Quisera eu ter a mesma alegria de um cão, ver o mundo em linha reta, entretanto, o que eu vejo, não é o que sinto. O que ouço são vocábulos inexistentes.

O tempo está cada vez mais curto, sinto-o escorregando pelas frestas de meus dedos. A qualquer momento a caixinha vai parar de tocar a melodia da harpa cristã. A bailarina lentamente vai perdendo os rodopios.

Meu maior medo era um quarto escuro, e apenas ao toque do interruptor as dores iam embora. Que triste lembrança. Hoje, medo me traz inspiração. Sou seco e molhado. Corro. Piso na cabeça da serpente com botas de ouro do rei Midas, feitas especialmente para mim. Fui em uma cigana para jogar o tarô, durante a consulta, apareceu à carta da Morte, presságio de uma nova fase ou a morte voluntária se aproxima?

até breve...

sexta-feira, 16 de março de 2012

O nada


Aprende-se que o nada não existe, mas como não? Olha ele ai, bem ao seu lado. Viu?! É melhor respeitá-lo, porque o nada está de olho. Viver o presente é a mesma coisa do que conviver com o nada. Corro, faço amigos para o nada. Faço parte da indústria do nada. Um das dicas que me disseram “dance na chuva, assim você pode despistar o nada”. Segui as instruções, as gotas caiam sobre mim, levemente, mas quando eu me dei conta, o nada estava bem próximo, como um cão-guia. As minhas músicas são apenas subterfúgios.
Caminho e ando de mãos com você para tentar que conseguia vencer o nada, mas inútil foi a tentativa, o nada se lançou mais uma vez sobre nós. Não adianta correr, deixe apenas o nada te aliviar. Me envolvo, erotizo com a fumaça do nada. Me deixo levar as circunstâncias, aos movimentos do nada. Aprendi a conviver com o nada, eu escrevo para Ele. Sinto informar que me conformei com o nada. Finalizo com a seguinte confirmação, do nada eu vim e daqui a pouco voltarei ao lugar de onde eu vim: do nada.
até breve...

quarta-feira, 7 de março de 2012

O cão e o cego


O motorista abriu a porta traseira do ônibus para entrar um cego com o seu cão-guia. Notei que todos os passageiros olhavam fixadamente para o cego. Novamente observei o cego e o seu companheiro, e me perguntei “deixa eu conferir se ao invés de um cão, entrou um dinossauro”. Virei para o lado e realmente tive a certeza de que entrou no coletivo era apenas um cão.
“Sorte (ou azar) do cego para não ver os olhares curiosos de um simples cão amigo dentro do transporte público. Quão grandioso o momento, o cão e o cego”, ironicamente pensei.
até breve...

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Através das luzes


Na última noite observei o luar através de uma árvore, precisamente, uma planta espinhosa. Galhos entrelaçados, nós para todos os lados. Percebi que os caminhos podem até levar para o brilho da lua, mas qual será o tamanho da fresta?

Emoções fortes, sentimentos vazios. Meu desejo é renascer pelo novo. Os pensamentos desabam sobre mim. Não consigo sustentá-los. Um desmonoramento sem precedentes, um caos completo que não consigo conter. Pode haver o descontrole, mas focar-se já não faz os mesmos resultados. A única solução é escrever. Soltar palavras. Livrar-se da dor.

Os hiatos estão mais prolongados, mas a esperança continua tímida. Libertar o vazio é como morrer. Renasço a cada ponto final. Para que falar de liberdade, sendo que é o sonho utópico dos estúpidos. Enquanto eles submergem no mar, eu já estou imóvel no fundo do oceano, sem ao menos um escafandro para me movimentar.

Tento desvendar a esfinge “decifra-te ou devoro-te”. Devorado estou pela a mais confusa das artes. Ascensões esporádicas, sentimentos vazios. O mais importante é a mentira, desde que ela seja dita da maneira apropriada. Por isso, até hoje nunca descobri a confiança, e nem me atentarei em procurar. Por último, me faço à seguinte pergunta. Quem nunca matou Deus? Todo sinal de dúvida é válido.

até breve..

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A fera

Reuters

Aposentei meus lápis coloridos. Voltei à estaca zero, onde o recomeço é apenas um estado de espírito. O sepulcro caiado que habitava em mim, morreu. A fera estava apenas adormecida, com ela havia perdido o brilho nos olhos. Não quero páginas novas, mas sim, jornais velhos são os que fazem as notícias. Vivo no movimento cíclico.

As agitações são como brincar num touro mecânico na tempestade. Gotas. Mais gotas. Pingos da precipitação caem sobre mim. Me acalmo na letargia. Vou a um abrigo e acendo meu cigarro. Espero até a última cinza se dissipar. Enquanto caminho ao encontro do besta mecanizada, olho para o céu. As coisas subtendidas começam a fazer sentido. Subo. Começa o rodopio, lentamente atinge o ponto mais frenético. Giro 70º, faço curvas – e caio. Imóvel. Corto os meus dedos, porque cansei de sangrar internamente.

até breve...

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Chuva de pentecostes

National Geographic

Quando estou ocupado comigo mesmo –, os anseios submergem. Que sentimentos são esses? Continuo perdido na minha confusão. De maneira despretensiosa, você chega, para colocar tudo em ordem. É o alento.

Você entra em minha casa com as roupas molhadas. O clima lá fora é tão insano, assim como nós. Tiramos a roupa. Transamos no sofá. Foi intenso. A pele estava fria e úmida – sem pressa, fomos nos esquentando com o calor uníssono.

Durante o ato, reconstruímos cada pedaço que foi lançado no caminho. Mas a visita é breve. Ainda há cacos em nossos corações. Os sonhos estão subvertidos nas esperanças do amanhã. Recomponho minha mente, farei das tuas palavras a minha.

No mais profundo do meu eu, me pergunto.

- Devo abdicar?

Desse momento vou navegando na euforia de um próximo encontro, até que as palavras certas cheguem à boca: eu te amo!

até breve...




segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Soldado do tempo

National Geographic

Quando as areias de Deus se movimentarem, irei despertar deste sono acordado. O processo está tão confuso, que os sentimentos vagueiam de maneira peculiar. Ou frenético, se achar melhor.

Sorte a minha que guardo a chave de marfim, onde está o segredo da nostalgia. Poucos vão entender o lado obscuro do Sol, a fim de clarear as idéias da lua. Poucos vão compreender a saudade.

Enquanto espero Chronos girar a roda, a chuva insiste em cair no meu quintal, alagando as azaléias vermelhas que cultivei na minha puberdade. Uma por uma, flor por flor, vão caindo. Até sobrar o céu cinza negrume.

São mais de três horas da manhã. Fantasio reflexos na parede. Olho para a direita e vejo a fiel companheira de solidão. Astuta. Me encara com os seus grandes olhos marrons noturnos. Se cansa de olhar e volta repousar em sua intrepidez. Como uma sentinela atenta a qualquer espia, jamais desgruda do canto da minha cama. Este mesmo lugar onde irei repousar minha fraqueza.

até breve...

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Ampulheta


Eu sei o quanto estou vivendo, não me preocupo com o futuro e o passado.

Apenas me recordo pelas fotos e as outras imagens que estão na minha memória seletiva.

A cada dia vivo mais uma recordação cômica, séria, triste, não sei. Simplesmente vivo.

Sou poeira e o tempo é o vento, aos poucos sou levado a lugares jamais imaginados. Cada grão de areia são os segundos se passando de maneira veloz. Mas ao despertar deste imaginário me vejo perdido.

O que de real sobrou?

As rugas marcadas no meu rosto.

até breve

sábado, 5 de novembro de 2011

O mundo e suas verdades....

Um casal deitado na cama se olha fixamente. Depois de uma transa intensa, a garota se levanta nua, vai até a escrivaninha pega um cigarro, acende. O cara a observa fumando, dando baforadas pelo ar. Ele pergunta:

- Quer brindar?

- A quê?

- Ao nada, ele é que nos conforta.

Se calam. Novamente se observam. A fumaça envolvem os olhos castanhos da garota. Ela dá a última baforada e apaga o cigarro no cinzeiro ao lado. Volta para a cama, deita no colchão e continua olhando para ele. O vazio ileso vai encobrindo os seus sentimentos.

até breve....

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Bonecos do lixo


Basta! Os manequins estão fora de cogitação. Hoje, o certo é ser incerto. Gosto das coisas incomuns, palavras chulas me levam ao êxtase. Os imundos me atraem. Quero pessoas sem máscaras ou maquiagem, as cicatrizes são mais interessantes. O sagrado não me atrai, o correto é ser lascivo.

Sem que percebamos, meticulosamente nos afeiçoamos de maneira involuntária. Quero as feridas mais profundas e as transformações mais plenas. A rebeldia é muito blasé. Expunham a originalidade, mas sem dedos apontados para os lados. Um pouco de pimenta no tempero, não faz mal a ninguém. Seja social, mas sem ser banal.

Cansei de morbidez humana. Os erros nos mostram como somos. A alma pecadora é a que procura rendição. Clamo a deusa Atena a sabedoria plena, para aguentar incólume esta dor. Enquanto puder, vou usar a borracha mais velha que estiver esquecida na gaveta, e ressuscitarei os fantasmas do passado. Quero que a lua seja cúmplice no barateamento da perfeição humana, que se espalha por uma névoa branca, a respiramos mas não sentimentos. As aquietações são desvendadas, aos poucos mortificadas ou quem sabe esquecidas. A partir de hoje, preparo-me para que venha o banquete de carne crua.

Inspirado no texto de Fernando Pessoa, poema Linha Reta

até breve


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O Farol


Encontros e desencontros são efêmeros, vorazes, com uma força que nos consomem a cada instante. Mas você continua a mesma, leal a cada momento. Suas lágrimas exprimem a verdade, o valor de um sentimento jamais vivido por estes peregrinos da noite... Da janela contemplamos o mesmo farol de uma luminosidade estática. Sempre pulsando o amarelo ocre. Provocando-nos ir ou vir. Nossas vidas são parecidas a este pequeno refletor, alerta a todo instante.

Permanecemos cautelosos a tudo e a todos, mesmo assim, o controle foge de nossas mãos. Esvaindo-se pelas falanges, por minúsculas frestas. Apesar disso, ficamos aqui estáticos observando o círculo aceso sempre piscando, confundindo-se entre as estrelas, precavendo pedestres e motoristas. Como essa lanterna sustentada por um concreto, sem nenhuma perspectiva de se locomover, assim somos nós. O mundo é frenético, mas a sensação é de imobilidade. Os inominados estão em um coma involuntário, deslumbrados com a paisagem. Paralisados a cada instante, o farol está estável, piscando seu torpor.

até breve

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Recomeço



Segundo o dicionário recomeçar: V.t. Começar de novo; refazer depois de interrupção: recomeçar um trabalho. Retornar a fazer qualquer coisa: recomeçar a chorar. V.i. Começar a ser, a produzir-se novamente: recomeça a chuva.

Isto é o que me define: recomeço. Depois de alguns anos parado, as palavras, pensamentos e ideais não me deixavam quieto. A todo passo que dava, eles estavam presentes, caminhando ao meu lado. Em tudo que via e ouvia vagarosamente navegavam no meu íntimo. Só me aquietava quando expressava estes sentimentos no papel, igualmente ficava aliviado.Vou refazer este percurso até que os dias sejam perpetuados na terra.

O porquê disto? Um dia me dei conta e refleti: não quero viver muito, mas quero existir o necessário para que descubra o porquê vim para este mundo. A partir de então “vou usando a escrita para me livrar daquilo que corrói e destrói por dentro.”

até breve